quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Ajudar é melhor que criticar


"Não bombardeiem de críticas as pessoas quando elas cometem um erro, a menos que queiram receber o mesmo tratamento. O espírito crítico é como um bumerangue. É fácil ver uma mancha no rosto do próximo e esquecer-se do feio riso de escárnio no próprio rosto. Vocês têm o cinismo de dizer: ‘Deixe-me limpar o seu rosto’, quando o rosto de vocês está distorcido pelo desprezo? Isso também é teatro, é fazer o jogo do sou mais santo que você’, em vez de simplesmente viver a vida. Tire o cinismo do rosto e, então, você poderá oferecer uma toalha ao seu próximo, para que ele também limpe o rosto". (Mateus 7.1-5 / versão A Mensagem)

Minha leitura devocional de hoje refletiu muito o que tem sido a minha semana - um constante apagar de incêndios.
É difícil ter que lidar com erros de outros, mas é compensador quando sabemos estar ajudando. O terrível é lidar com pessoas falando do erro dos outros, sem que se disponham a ajudar, tão somente julgar e criticar.
Por que trocar a bênção de ajudar pelo cinismo de apontar?
Por que perder a oportunidade de ver levantar, enquanto fica na expectativa de contemplar a queda?
Que Deus nos faça refletir mais a sua face e os seus desejos em cada uma de nossas vidas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Que Deus acredite em mim



"No caminho do crer e não crer
Vivo na dúvida do milagre
Entre as brumas da uva e do vinho
Sou eu quem destila o vinagre.

Caminho no chão em busca do céu
Num fogo e água que não tem fim

Porque
Não me esforço para acreditar em Deus
Esforço-me para que Deus acredite em mim."
Sérgio Vaz

domingo, 14 de agosto de 2016

Feridos que curam


Ninguém escapa de ser ferido.
Somos todos pessoas feridas, física, emocional, mental ou espiritualmente.
A questão principal não é como podemos esconder nossas feridas, para assim não nos sentirmos envergonhados, mas “como podemos colocá-las a serviço de outros."
Quando nossas feridas deixam de ser uma fonte de vergonha e passam a ser uma fonte de cura, tornamo-nos pessoas feridas que curam.
Jesus é o enviado de Deus que, mesmo ferido, cura. Por meio de suas feridas somos curados. O sofrimento e a morte de Jesus trouxeram alegria e vida. Sua humilhação trouxe glória; sua rejeição, uma comunidade de amor.
Como seguidores de Jesus, também podemos permitir que as nossas feridas tragam a cura aos outros (Henri Nouwen. O curador ferido).

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Conflito de reinos



Observando os fatos que foram noticia ultimamente quanto a animais e seres humanos vemos um gorila sacrificado porque um menino caiu no espaço reservado ao animal. Um menino morto por crocodilos não convidados para o lago do hotel de luxo da Disney. Um tigre circense assustando o papa dentro da casa dele, ao invés de apenas impressioná-lo. E ainda uma onça pintada que foi morta por aparecer num evento Olímpico, simbolo de liberdade e vida.
Tais fatos corroboram para pensarmos que o reino animal de vida selvagem está sendo convidado a participar do reino humano e forçosamente mostra que não pode ser domesticado ou introduzido sem que haja perdas substanciais.
Me faz pensar noutros dois reinos que também não podem se fundir sem que haja mortes e perdas. Há muitas pessoas que dizem desejar fazer parte do Reino de Deus, mas que não abrem mão de suas próprias vontades pessoais, humanas. Somos convidados a entrar no Reino de Deus desde que aceitemos que ali dever ser "feita a Sua vontade e não a minha", como orou o próprio Jesus no Getsêmani.
Convém que Ele cresça, e eu na verdade venha a morrer para mim mesmo. Assim, o meu pequeno mundo fará parte do imenso Reino Eterno do meu Deus.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Oração dos monges franciscanos



Que Deus te abençoe com o desconforto diante de respostas fáceis, dos corações duros, das meias verdades e dos relacionamentos superficiais, para que possas viver do fundo do teu coração, onde o Espírito de Deus habita.

Que Deus te abençoe com lágrimas a derramar por aqueles que sofrem de dor, rejeição, fome e guerra, para que possas estender tua mão para confortá-los e transformar sua dor em alegria.

Que Deus te abençoe com suficiente insensatez para crer que podes fazer diferença neste mundo e em tua vizinhança, para que corajosamente tentes fazer aquilo que pensas não seres capaz de realizar, mas em Jesus Cristo terás a força necessária para executar.

Que Deus te abençoe para que te lembres de que todos nós somos chamados a continuar a obra redentora de Deus, de amor e cura, no lugar de Deus, em nome de Deus, no Espirito de Deus, criando e soprando continuamente nova vida e graça em tudo e em todos que tocamos. 

domingo, 15 de maio de 2016

Poço no Deserto



BEER LAAI ROE


A cena é trágica. Uma mãe em desespero e angústia profunda que deixa o seu filho adolescente em prantos debaixo da sombra de um arbusto, no meio de um deserto abrasador.
A água e os pães tinham acabado, eles estavam caminhando sem rumo pelo deserto, por que tinham sido expulsos de casa pelo próprio pai.  Desventuras familiares.
Não dá pra culpar a mulher. Ela não era a esposa do pai do garoto, mas também não tivera o caso por escolha própria, mas por ordem da patroa, a verdadeira esposa. Mais tarde, o conflito dos filhos e os sentimentos adversos das mães se torna inevitável. Tempestades familiares que acontecem, e nos conduzem aos desertos.
Agora, ela se distancia do filho por que "não suportaria ver o filho morrer"(Gn 21.15), o deixa na sombra pois não pode prover mais nada, e também não deseja ver o sofrimento. Mas no momento mais terrível e solitário, prevendo a desgraça, é visitada pela graça e favor divino.
O Anjo a encontra, até porque ela não o havia procurado. Ele veio porque "Deus ouviu o choro do menino", Deus sabe onde o menino está e vem ao seu socorro (Gn 21.17). Pode ser que ela se afaste do filho em sofrimento, mas Deus o ouve "lá onde você o deixou".

Mais uma vez, eu não a culpo. Pense no sofrimento de não ter água, pão, suprimento ou socorro algum no meio da nada. A dor no coração, a angústia na alma, o cansaço físico e ainda as lágrimas nos olhos certamente não permitiram que ela visse ou pensasse em qualquer solução.
Quantas vezes, no tenebroso deserto da vida não sentimos o mesmo? Quem já não se encontrou em desespero, fustigado pela angústia de uma depressão, do pavor, esgotado pelo stress, desiludido pelo abandono ou pelo menos desprezo daqueles que esperávamos poder contar em dias maus?
Quem já não olhou ao redor e sentiu-se desesperançado e sem gosto por mais nada ao seu redor?
O Anjo desperta Hagar, lhe trás uma notícia alentadora, demonstra o cuidado e amor de Quem não a abandona jamais, lhe desafia a vencer o medo, aponta um futuro esperançoso e ainda, com as lágrimas enxugadas, mostra-lhe um poço ali, bem perto, que antes ela não pode ver, mas
amparada e socorrida, agora pode desfrutar e continuar a jornada.
Hagar já tinha dado nome a outro poço que demonstra muito bem de onde vem o socorro no meio do deserto, nos dias de perdição, o poço chama-se Beer Laai Roi - o poço Daquele que Vive e me vê (Gn 16.14).
Desertos podem nos cegar, nos esgotar, nos desanimar e tirar quase que o nosso tudo de sobrevivência, mas não pode nos esconder e em mesmo nos tirar do centro do amor de nosso Deus.