segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Que Deus acredite em mim



"No caminho do crer e não crer
Vivo na dúvida do milagre
Entre as brumas da uva e do vinho
Sou eu quem destila o vinagre.

Caminho no chão em busca do céu
Num fogo e água que não tem fim

Porque
Não me esforço para acreditar em Deus
Esforço-me para que Deus acredite em mim."
Sérgio Vaz

domingo, 14 de agosto de 2016

Feridos que curam


Ninguém escapa de ser ferido.
Somos todos pessoas feridas, física, emocional, mental ou espiritualmente.
A questão principal não é como podemos esconder nossas feridas, para assim não nos sentirmos envergonhados, mas “como podemos colocá-las a serviço de outros."
Quando nossas feridas deixam de ser uma fonte de vergonha e passam a ser uma fonte de cura, tornamo-nos pessoas feridas que curam.
Jesus é o enviado de Deus que, mesmo ferido, cura. Por meio de suas feridas somos curados. O sofrimento e a morte de Jesus trouxeram alegria e vida. Sua humilhação trouxe glória; sua rejeição, uma comunidade de amor.
Como seguidores de Jesus, também podemos permitir que as nossas feridas tragam a cura aos outros (Henri Nouwen. O curador ferido).

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Conflito de reinos



Observando os fatos que foram noticia ultimamente quanto a animais e seres humanos vemos um gorila sacrificado porque um menino caiu no espaço reservado ao animal. Um menino morto por crocodilos não convidados para o lago do hotel de luxo da Disney. Um tigre circense assustando o papa dentro da casa dele, ao invés de apenas impressioná-lo. E ainda uma onça pintada que foi morta por aparecer num evento Olímpico, simbolo de liberdade e vida.
Tais fatos corroboram para pensarmos que o reino animal de vida selvagem está sendo convidado a participar do reino humano e forçosamente mostra que não pode ser domesticado ou introduzido sem que haja perdas substanciais.
Me faz pensar noutros dois reinos que também não podem se fundir sem que haja mortes e perdas. Há muitas pessoas que dizem desejar fazer parte do Reino de Deus, mas que não abrem mão de suas próprias vontades pessoais, humanas. Somos convidados a entrar no Reino de Deus desde que aceitemos que ali dever ser "feita a Sua vontade e não a minha", como orou o próprio Jesus no Getsêmani.
Convém que Ele cresça, e eu na verdade venha a morrer para mim mesmo. Assim, o meu pequeno mundo fará parte do imenso Reino Eterno do meu Deus.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Oração dos monges franciscanos



Que Deus te abençoe com o desconforto diante de respostas fáceis, dos corações duros, das meias verdades e dos relacionamentos superficiais, para que possas viver do fundo do teu coração, onde o Espírito de Deus habita.

Que Deus te abençoe com lágrimas a derramar por aqueles que sofrem de dor, rejeição, fome e guerra, para que possas estender tua mão para confortá-los e transformar sua dor em alegria.

Que Deus te abençoe com suficiente insensatez para crer que podes fazer diferença neste mundo e em tua vizinhança, para que corajosamente tentes fazer aquilo que pensas não seres capaz de realizar, mas em Jesus Cristo terás a força necessária para executar.

Que Deus te abençoe para que te lembres de que todos nós somos chamados a continuar a obra redentora de Deus, de amor e cura, no lugar de Deus, em nome de Deus, no Espirito de Deus, criando e soprando continuamente nova vida e graça em tudo e em todos que tocamos. 

domingo, 15 de maio de 2016

Poço no Deserto



BEER LAAI ROE


A cena é trágica. Uma mãe em desespero e angústia profunda que deixa o seu filho adolescente em prantos debaixo da sombra de um arbusto, no meio de um deserto abrasador.
A água e os pães tinham acabado, eles estavam caminhando sem rumo pelo deserto, por que tinham sido expulsos de casa pelo próprio pai.  Desventuras familiares.
Não dá pra culpar a mulher. Ela não era a esposa do pai do garoto, mas também não tivera o caso por escolha própria, mas por ordem da patroa, a verdadeira esposa. Mais tarde, o conflito dos filhos e os sentimentos adversos das mães se torna inevitável. Tempestades familiares que acontecem, e nos conduzem aos desertos.
Agora, ela se distancia do filho por que "não suportaria ver o filho morrer"(Gn 21.15), o deixa na sombra pois não pode prover mais nada, e também não deseja ver o sofrimento. Mas no momento mais terrível e solitário, prevendo a desgraça, é visitada pela graça e favor divino.
O Anjo a encontra, até porque ela não o havia procurado. Ele veio porque "Deus ouviu o choro do menino", Deus sabe onde o menino está e vem ao seu socorro (Gn 21.17). Pode ser que ela se afaste do filho em sofrimento, mas Deus o ouve "lá onde você o deixou".

Mais uma vez, eu não a culpo. Pense no sofrimento de não ter água, pão, suprimento ou socorro algum no meio da nada. A dor no coração, a angústia na alma, o cansaço físico e ainda as lágrimas nos olhos certamente não permitiram que ela visse ou pensasse em qualquer solução.
Quantas vezes, no tenebroso deserto da vida não sentimos o mesmo? Quem já não se encontrou em desespero, fustigado pela angústia de uma depressão, do pavor, esgotado pelo stress, desiludido pelo abandono ou pelo menos desprezo daqueles que esperávamos poder contar em dias maus?
Quem já não olhou ao redor e sentiu-se desesperançado e sem gosto por mais nada ao seu redor?
O Anjo desperta Hagar, lhe trás uma notícia alentadora, demonstra o cuidado e amor de Quem não a abandona jamais, lhe desafia a vencer o medo, aponta um futuro esperançoso e ainda, com as lágrimas enxugadas, mostra-lhe um poço ali, bem perto, que antes ela não pode ver, mas
amparada e socorrida, agora pode desfrutar e continuar a jornada.
Hagar já tinha dado nome a outro poço que demonstra muito bem de onde vem o socorro no meio do deserto, nos dias de perdição, o poço chama-se Beer Laai Roi - o poço Daquele que Vive e me vê (Gn 16.14).
Desertos podem nos cegar, nos esgotar, nos desanimar e tirar quase que o nosso tudo de sobrevivência, mas não pode nos esconder e em mesmo nos tirar do centro do amor de nosso Deus.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Tempo de Deserto


“de madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava” (Mc 1:35)
Quem gosta de estar em um deserto? Acredito que ninguém goste. Mas, o que é um deserto? Como o próprio nome sugere, trata-se de um lugar onde não há vida, onde não há nada que, em sã consciência, nos atraia.
É costume, entre o povo de Deus ouvirmos este tipo de comentário: “ Eu estou passando por um grande deserto na minha vida”. O que seria este deserto na vida cristã? São momentos difíceis, onde parece-nos que Deus nos abandonou. Estes “desertos” são períodos de profundas aflições, tribulações e escasses de ânimo. Na linguagem dos místicos, noites escuras da alma.
Contudo, ao invés de fircarmos lamuriando, estes períodos de deserto, a exemplo de nosso Senhor Jesus, podem ser para nós um tempo frutífero e de comunhão íntima com o Pai.
Deserto é tempo para o silêncio. Quando aprendemos, em meio a estes períodos de duras provas, silenciar nossas vozes interiores e exteriores, conseguimos ouvir a voz de Deus sussurrando no nosso centro, na nossa alma, onde o Espírito Santo habita. E com isso ganhamos uma compreensão renovada de quem Deus é: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Sl 46:10).
Deserto é tempo para a solitude. Nestes momentos podemos nos reservar a sós com Deus. Buscando nos esquivar do falatório e das aglomerações humanas, nos forçamos a abrir mão de nossas fugas pessoais para que assim possamos ter um encontro com a realidade daquilo que somos, e não aquilo que fingimos ser. Todas as máscaras que usamos caem. Estes momentos são terapêuticos, pois, ao mesmo tempo que revelam toda o nosso caos interior, revelam também que Deus nos ama e nos aceita como somos: com nossos defeitos e fraquezas.
Deserto é tempo para a oração. São nestes períodos desérticos que aprendemos a realidade das nossas orações, que mais do que mero ritual é um encontro pessoal com o Deus que nos ama e que nos sustenta em meio à aridez de nossas vidas. No deserto aprendemos verdadeiramente a orar: nos momentos férteis aprendemos a pedir mais, nos desérticos aprendemos a descansar em Deus e a sermos gratos pelo que já temos.
Quem gosta de desertos? Ninguém! Porém, eles são extremamente necessários para o forjar de nosso caráter e para nossa formação espiritual.
Moisés foi formado no deserto; Davi também. Até Jesus enfrentou seus desertos (Cf. Mt 4:1-11; Mc 1:12,13; Lc 4:1-13).
Por que com você e comigo seria diferente?

Que Deus abençoe nossos desertos!

http://vidacontemplativa.wordpress.com/2009/03/27/tempo-de-deserto/

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Chuva Generosa



Deste chuvas generosas, ó Deus; refrescaste a tua herança exausta (Sl 68.9).

Uma das coisas que mais amo é cheiro de terra molhada. É aroma de vida para mim. Na verdade é como perfume de renascimento. Eis ali, uma terra quase a perecer, seca, estéril, sem força e esperança, quando de repente é despertada por gotas grandes e pesadas que vão rompendo a rigidez e amolecendo os sulcos e rachaduras. Em gratidão, esse chão deixa exalar sua fragrância de alegria. Somos resultado dessa mistura de terra e água. Foi da pasta feita de barro molhado que Deus deu forma ao primeiro homem (Gênesis 2.6,7). Por isso o nosso interior grita pelo Senhor. Mesmo que em algum momento da vida não tenhamos essa clareza ou sejamos ignorantes em relação ao amor de Deus por nós, a essência da qual somos feitos deseja água desesperadamente.

Não raramente nos sentimos exaustos, esgotados e sedentos. São muitas as causas e lutas diárias que aos poucos desidratam nossa alma: enfermidades, traições, desemprego, frieza espiritual, mágoas, perseguição, a lista não tem fim. Deixamos de dar frutos, perdemos o viço e o vigor. Tornamo-nos endurecidos a ponto de não sobrar nutriente algum que faça brotar um esboço que seja de motivação. Mas não nos enganemos com as ofertas de refrigério vindas de fontes suspeitas. Elas estão por toda parte, fantasiadas dos mais diversos nomes.

Mas somente em Jesus, em sua presença e companhia, saciaremos a nossa sede profunda. Ele nos oferece sua água: “Quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14). Acredite, um sussurro, mesmo inaudível, clamando por socorro é o bastante para que o nosso Senhor se derrame sobre nós, trazendo renovo em meio à sequidão. - FB

Há esperança para a terra seca do nosso íntimo que deseja beber da água de Jesus.

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