sábado, 19 de junho de 2010

LAGRIMAS E SORRISOS...




O poeta bíblico recomenda que semeamos com lágrimas (Salmo 126.5 e 6).
Semear com lágrimas é para quem sabe que a vida é feita de lágrimas e sorrisos, de insônias e sonos, de sonhos e frustrações, de sombra e luz, de vales e montanhas, de medo e paz, de derrotas e vitórias. Ninguém chega ao topo da montanha, se não subir e ninguém sobe sem suar, sem se perder, sem se cansar, sem tropeçar. Ninguém atravessa o rio, se não nadar ou tomar um barco. Ninguém chega ao seu destino, se não fizer a viagem. Ninguém terminará de ler um livro, se não o vencer página por página. Ninguém construirá uma casa, se não puser tijolo após tijolo na obra. Ninguém formará uma biblioteca, se não colocar nela livro por livro. Ninguém participará da sua própria formatura (num curso) ou passará num concurso, se não faltar a festas, deixando sua rotina alegre para construir uma outra rotina sisuda dominada pelo verbo estudar. Ninguém colherá, se não plantar. Ninguém alcançará uma coisa, se não abrir mão de muitas coisas.
Desejo-lhe um


Israel Belo de Azevedo

sábado, 12 de junho de 2010

Atire a Primeira Flor




Quando tudo parecer caminhar errado, seja você a tentar o primeiro passo certo;

Se tudo parecer escuro, se nada puder ser visto, acenda você a primeira luz, traga para a treva, você primeiro, a pequena lâmpada;
Quando todos estiverem chorando, tente você o primeiro sorriso; talvez não na forma de lábios sorridentes, mas na de um coração que compreenda, de braços que confortem;
Se a vida inteira for um imenso não, não pare você na busca do primeiro sim, ao qual tudo de positivo deverá seguir-se;

Quando ninguém souber coisa alguma, e você souber um pouquinho, seja o primeiro a ensinar, começando por aprender você mesmo, corrigindo-se a si mesmo;

Quando alguém estiver angustiado à procura, consulte bem o que se passa , talvez seja em busca de você mesmo que este seu irmão esteja;

Daí, portanto, o seu deve ser o primeiro a aparecer, o primeiro a mostrar-se, primeiro que pode ser o único e , mais sério ainda, talvez o último;

Quando a terra estiver seca, que sua mão seja a primeira a regá-la;
Quando a flor se sufocar na urze e no espinho, que sua mão seja a primeira a separar o joio, a arrancar a praga, a afagar a pétala, a acariciar a flor;

Se a porta estiver fechada, de você venha a primeira chave;
Se o vento sopra frio, que o calor de sua lareira seja a primeira proteção e primeiro abrigo.

Se o pão for apenas massa e não estiver cozido, seja você o primeiro forno para transformá-lo em alimento.

Não atire a primeira pedra em quem erra. De acusadores o mundo está cheio; nem, por outro lado, aplauda o erro; dentro em pouco, a ovação será ensurdecedora;

Ofereça sua mão primeiro para levantar quem caiu; sua atenção primeiro para aquele que foi esquecido; seja você o primeiro para aquele que não tem ninguém;

Quando tudo for espinho, atire a primeira flor; seja o primeiro a mostrar que há caminho de volta, compreendendo que o perdão regenera,
que a compreensão edifica, que o auxílio possibilita, que o
entendimento reconstrói.

Atire você, quando tudo for pedra, a primeira e decisiva flor.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

CINCO POR CENTO!



MAX GERINHGER

Eu hoje me lembrei de uma dessas estatísticas baseadas mais no bom senso do que na técnica. É a regrinha dos cinco por cento.
Segundo essa regra, de tudo o que nós escutamos, vemos, falamos, lemos ou escrevemos todos os dias, só cinco por cento realmente interessam. O resto é descartável. Da mesma forma, de cada 100 estagiários contratados por empresas, só cinco chegarão a cargos de chefia. De cada 100 pequenos negócios que são abertos, só cinco se transformarão no sucesso que o dono sonhava. De cada 100 bons alunos, só cinco repetirão na vida profissional o bom desempenho que tiveram na escola.

A mesma regra vale para o trabalho. Se nós passamos 40 horas por semana em uma empresa, só durante cinco por cento desse tempo, ou duas horas, estaremos fazendo alguma coisa pela qual poderemos ser lembrados daqui a algum tempo. As outras 38 horas são gastas em trabalhos de rotina, em reuniões, em conversas ao telefone ou
em bate-papos sem importância. Um teste que eu fazia comigo mesmo era me perguntar como eu tinha gasto minhas duas horas de criatividade na semana anterior. E, no mais das vezes, eu descobria que tinha sido, simplesmente, engolido pela rotina.

Essa lição dos cinco por cento eu devo a meu saudoso professor Wantuil. Certa vez, depois de mais uma daquelas algazarras incontroláveis durante a aula, o professor Wantuil nos disse que os 95% de alunos que quisessem continuar com a bagunça poderiam continuar à vontade, porque ele estava interessado só nos cinco
por cento que iriam ser alguma coisa na vida. E a classe imediatamente ficou em silêncio, porque todo mundo sempre se considera parte dos cinco por cento. Não sei se a lição funcionou no meu caso, mas certamente funcionou no caso do professor Wantuil. Porque eu devo ter tido uns 100 professores na vida, e ele é um dos cinco que eu ainda me lembro.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Jesus tomado de compaixão pelo sofrimento alheio




Tenho compaixão desta multidão (Mt 15.32)

O Evangelho registra que Jesus, em suas andanças “por todas as cidades e povoados”, ao ver as multidões, tinha compaixão delas “porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor” (Mt 9.35-38). Pouco adiante, Mateus volta a registrar: “Quando Jesus saiu do barco e viu tão grande multidão, teve compaixão deles e curou os seus doentes” (Mt 14.14). Jesus mesmo expressa verbalmente esse sentimento por ocasião da segunda multiplicação de pães e peixes: “Tenho compaixão desta multidão” (Mt 15.32).

Porque Jesus não só enxergava, mas também se compadecia do sofrimento alheio, muitos clamavam e gritavam diante dele: “Filho de Davi, tem misericórdia de nós”. É o caso dos dois cegos (Mt 9.27), da mulher cananéia cuja filha estava endemoninhada e sofrendo muito (Mt 15.22), do homem cujo filho também estava endemoninhado e era jogado ora no fogo ora na água para ser morto (Mc 9.22), do cego Bartimeu, que pedia esmola numa rua de Jericó (Mc 10.47).

A compaixão de Jesus pelo sofrimento alheio ia muito além do mero sentimento. Ele se entregava ao ministério de aliviar os outros de suas dores. O povo lhe trazia “todos os que estavam padecendo vários males e tormentos: endemoninhados, epiléticos e paralíticos” e ele os curava (Mt 4.23-25).

Como o sofrimento humano se estende além da doença e da morte, o ministério de Jesus era tríplice. “A atividade de Jesus junta e unifica ensinamento, proclamação da boa notícia ou evangelho e curas” (Bíblia do Peregrino).

Jesus se encontrava com os sofredores nas sinagogas (caso da mulher encurvada, do paralítico de Cafarnaum, do homem da mão atrofiada), em lugares públicos (caso do paralítico junto ao tanque de Betesda, do homem da orelha decepada no Getsêmani) e em ruas e estradas (caso do cego de nascença, da viúva de Naim, do endemoninhado de Gerasa, do cego Bartimeu).

As pessoas sofridas iam a Jesus em busca de alívio por iniciativa própria: a mulher por 12 anos hemorrágica (Lc 8.43-48), os dez leprosos (Lc 17.11-19), o cego de Jericó (Lc 18.35-42). As pessoas sofridas eram levadas a Jesus por parentes e amigos: o paralítico de Cafarnaum (Mc 2.1-12), a filha da mulher cananéia (Mt 15.21-28), a sogra de Pedro (Lc 4.38-40), o servo do centurião (Lc 7.1-10), a filha de Jairo (Lc 8.40-56), o menino endemoninhado (Lc 9.37-45). As pessoas sofridas eram enxergadas pelo próprio Jesus, que tomava a iniciativa de aliviá-las: o homem da mão atrofiada (Lc 6.6-11), a viúva de Naim (Lc 7.11-17), o endemoninhado de Gerasa (Lc 8.26-39), a mulher encurvada (Lc 13.10-17), o servo do sumo sacerdote (Lc 22.51), o paralítico de Betesda (Jo 5.1-15), o cego de nascença (Jo 9.1-12).



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