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quinta-feira, 31 de março de 2016

Tempo de Deserto


“de madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava” (Mc 1:35)
Quem gosta de estar em um deserto? Acredito que ninguém goste. Mas, o que é um deserto? Como o próprio nome sugere, trata-se de um lugar onde não há vida, onde não há nada que, em sã consciência, nos atraia.
É costume, entre o povo de Deus ouvirmos este tipo de comentário: “ Eu estou passando por um grande deserto na minha vida”. O que seria este deserto na vida cristã? São momentos difíceis, onde parece-nos que Deus nos abandonou. Estes “desertos” são períodos de profundas aflições, tribulações e escasses de ânimo. Na linguagem dos místicos, noites escuras da alma.
Contudo, ao invés de fircarmos lamuriando, estes períodos de deserto, a exemplo de nosso Senhor Jesus, podem ser para nós um tempo frutífero e de comunhão íntima com o Pai.
Deserto é tempo para o silêncio. Quando aprendemos, em meio a estes períodos de duras provas, silenciar nossas vozes interiores e exteriores, conseguimos ouvir a voz de Deus sussurrando no nosso centro, na nossa alma, onde o Espírito Santo habita. E com isso ganhamos uma compreensão renovada de quem Deus é: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Sl 46:10).
Deserto é tempo para a solitude. Nestes momentos podemos nos reservar a sós com Deus. Buscando nos esquivar do falatório e das aglomerações humanas, nos forçamos a abrir mão de nossas fugas pessoais para que assim possamos ter um encontro com a realidade daquilo que somos, e não aquilo que fingimos ser. Todas as máscaras que usamos caem. Estes momentos são terapêuticos, pois, ao mesmo tempo que revelam toda o nosso caos interior, revelam também que Deus nos ama e nos aceita como somos: com nossos defeitos e fraquezas.
Deserto é tempo para a oração. São nestes períodos desérticos que aprendemos a realidade das nossas orações, que mais do que mero ritual é um encontro pessoal com o Deus que nos ama e que nos sustenta em meio à aridez de nossas vidas. No deserto aprendemos verdadeiramente a orar: nos momentos férteis aprendemos a pedir mais, nos desérticos aprendemos a descansar em Deus e a sermos gratos pelo que já temos.
Quem gosta de desertos? Ninguém! Porém, eles são extremamente necessários para o forjar de nosso caráter e para nossa formação espiritual.
Moisés foi formado no deserto; Davi também. Até Jesus enfrentou seus desertos (Cf. Mt 4:1-11; Mc 1:12,13; Lc 4:1-13).
Por que com você e comigo seria diferente?

Que Deus abençoe nossos desertos!

http://vidacontemplativa.wordpress.com/2009/03/27/tempo-de-deserto/

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Chuva Generosa



Deste chuvas generosas, ó Deus; refrescaste a tua herança exausta (Sl 68.9).

Uma das coisas que mais amo é cheiro de terra molhada. É aroma de vida para mim. Na verdade é como perfume de renascimento. Eis ali, uma terra quase a perecer, seca, estéril, sem força e esperança, quando de repente é despertada por gotas grandes e pesadas que vão rompendo a rigidez e amolecendo os sulcos e rachaduras. Em gratidão, esse chão deixa exalar sua fragrância de alegria. Somos resultado dessa mistura de terra e água. Foi da pasta feita de barro molhado que Deus deu forma ao primeiro homem (Gênesis 2.6,7). Por isso o nosso interior grita pelo Senhor. Mesmo que em algum momento da vida não tenhamos essa clareza ou sejamos ignorantes em relação ao amor de Deus por nós, a essência da qual somos feitos deseja água desesperadamente.

Não raramente nos sentimos exaustos, esgotados e sedentos. São muitas as causas e lutas diárias que aos poucos desidratam nossa alma: enfermidades, traições, desemprego, frieza espiritual, mágoas, perseguição, a lista não tem fim. Deixamos de dar frutos, perdemos o viço e o vigor. Tornamo-nos endurecidos a ponto de não sobrar nutriente algum que faça brotar um esboço que seja de motivação. Mas não nos enganemos com as ofertas de refrigério vindas de fontes suspeitas. Elas estão por toda parte, fantasiadas dos mais diversos nomes.

Mas somente em Jesus, em sua presença e companhia, saciaremos a nossa sede profunda. Ele nos oferece sua água: “Quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14). Acredite, um sussurro, mesmo inaudível, clamando por socorro é o bastante para que o nosso Senhor se derrame sobre nós, trazendo renovo em meio à sequidão. - FB

Há esperança para a terra seca do nosso íntimo que deseja beber da água de Jesus.

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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A missão de Lucy





Hoje pela manhã fui visitado por fortes dores estomacais (ou intestinais, não sei ao certo), que me desmotivaram das atividades mais produtivas, por isso, acomodei-me e encontrei um filme já visto várias vezes, mas que sempre me ensina algo proveitoso. Não foi diferente desta vez, mui especialmente num momento que falou muito sobre minha função e meu momento atual no ministério.

O filme é "As Crônicas de Nárnia: Príncipe Cáspian", baseados nos escritos magníficos de C.S.Lewis. Fui instigado por um momento em especial da trama. Os quatro irmãos estão caminhando pela floresta, acompanhados pelo anão Trumpkin que salvaram, procurando o Grande Rio, para chegarem ao Monte de Aslam. Pedro, o irmão mais velho tem certeza que sabe o caminho, mas depois de muito andarem e já exautos se dão conta que realmente estão perdidos e não sabem qual direção tomar. Nesse instante Lucy solta um grito e diz estar vendo o Leão Aslam, mas volta-se e não o vê mais. Questiona os irmãos e todos dizem não ter visto e a induzem a pensar que foram alucinações. Ela refuta, diz ter certeza, e ainda afirma que Ele deseja que caminhem em outra direção. O grupo faz uma votação e todos seguem na direção que já estavam antes, apesar do desapontamento de Lucy.

Descem o penhasco e são perseguidos pelos soldados inimigos, até que, sem nenhuma alternativa, precisam voltar novamente e seguir a direção que Lucy tinha apontado. Muito cansados, param para comer e depois dormir um pouco. No meio da noite Lucy é despertada por uma voz que lhe chama. Ela tenta dormir novamente mas o chamado se repete, e a voz é a mais querida aos seus ouvidos, por isso ela se levanta e entra pela floresta seguindo a voz, e depois dos arbustos vivos e dançantes, encontra-se com Ele, Aslam.

Depois de abraços e deleites Aslam diz que eles já perderam muito tempo na direção errada, e o diálogo que segue é esclarecedor. Ela culpa os irmãos de não terem ido na direção certa quando ela os chamou, mas diante do olhar sério de Aslam ela confessa que deveria ter ido mesmo diante da incredulidade deles. Pergunta se mudaria alguma coisa se tivesse ido. Aslam responde que não pode dizer se algo seria diferente, mas que agora sim ela pode fazer diferença, e lhe desafia: vá acordar os outros, conte-lhes tudo que viu e façam com que me sigam. Ela sabe que a tarefa é difícil demais e questiona se os outros conseguirão vê-lo como ela. Aslam diz que de início não, mas ela deve chama-los e depois vir até ele, mesmo que os outros não venham.

Transcrevo as linhas do próprio Lewis: É desagradável ter de acordar quatro pessoas mais velhas, ainda por cima cansadas, para dizer-lhes uma coisa em que provavelmente não irão acreditar, e para convencê-las a fazer aquilo que não querem. Lúcia disse para si mesma: “É melhor nem pensar! Tenho é de ir em frente e aceitar o desafio!”

Ela conseguiu, mas não sem ter muita resistência e ser ofendida.

Assim que Lewis retrata a difícil missão que temos de liderar um povo a andar por fé. Torna-se terrível quando nem mesmo você sabe ao certo se está vendo ou não a direção certa, se está ouvindo ou não a voz de Deus, se está sendo ou não obediente. Mas depois de um encontro pessoal, uma palavra inconfundível e a direção certa apontada, não importa mais ser ouvido ou não, mas obediente.

Despertar os que estão tranquilamente dormentes diante da urgência de marchar, conseguir transmitir aquilo que vemos e ouvimos diretamente do Senhor, e ainda fazer com que nos sigam, porque seguimos a Jesus, não é algo fácil e nem mesmo tranquilo de se realizar, mas é nossa missão. Só quando nos levantamos com disposição, motivados pela obediência ao Senhor de nossas vidas e pelo amor daqueles que estão perdidos e sem rumo do nosso lado, nossos irmãos de jornada, podemos então ter a alegria de estar no caminho certo, perto do nosso Salvador e acompanhados por aqueles de quem não desistimos. Isso sim é satisfação, missão cumprida e vale toda a celebração.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A Primazia da Pregação!



É necessário fazer provisão na igreja para manter a pregação como prioridade. Muitas coisas boas competem pela atenção do pastor. Sempre existem necessidades a serem atendidas e ministérios à espera de uma mão disposta a trabalhar. À luz de tanta exigência, os pastores precisam cultivar o mesmo tipo de ousadia humilde e negligência  deliberada que demonstraram os apóstolos, quando pastoreavam a igreja em seus primórdios, na cidade de Jerusalém. Confrontados com as importantes necessidades da congregação, aqueles primeiros líderes se recusaram a ficar distraídos de sua principal tarefa:

"Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas" (At 6.2).

A situação era séria. Viúvas estavam sendo negligenciadas pela igreja. Contudo, a  igreja confiou esse ministério a outros membros cheios do Espírito Santo, para que os apóstolos se consagrassem "à oração e ao ministério da palavra" (v. 4). Esse tipo de sabedoria prática e disposição de delegar responsabilidades precisa caracterizar a igreja, se tiver de ser mantida a prioridade da pregação. Os membros e oficiais da igreja deveriam mostrar grande cuidado em insistir que seu pastor mantenha a obra da pregação como a prioridade de seu ministério. John MacArthur salientou esse ponto com
grande eloqüência, em um sermão pregado na Conferência de Pastores da Convenção Batista do Sul, em 1990, realizado em Nova Orleans, Louisiana. De que maneira os membros de igreja podem encorajar seu pastor a fazer da pregação a sua prioridade?

Precisamos nos determinar a permitir que nossas convicções sejam moldadas pela imutável Palavra de Deus e não pelas mutáveis tendências da cultura moderna.

Aqui estão as sugestões de MacArthur:

Empurrem-no para o seu escritório, tirem da porta a placa "Escritório" e substituam-na por outra que diz: "Sala de Estudo". Tranquem-no com seus livros, sua máquina de escrever e sua Bíblia. Forcem-no a se ajoelhar diante dos textos, dos corações quebrantados, da inquietação de vidas de um rebanho dado à superficialidade e diante de um Deus Santo. Obriguem-no a ser o único homem da igreja que conhece o bastante acerca de Deus. Atirem-no para o ringue, a fim de boxear com Deus, até que ele aprenda quão pequenos são os seus braços. Coloquem-no a lutar com Deus por toda a noite, permitindo que saia apenas quando estiver machucado e surrado, a ponto de ser uma bênção. Fechem a boca desse homem, para que ele não seja continuamente um mero discursador. Impeçam sua língua de tropeçar em coisas não-essenciais. Exijam que tenha algo a dizer, antes de quebrar o silêncio. Queimem seus olhos com estudo cansativo. Desarticulem seu equilíbrio emocional com a preocupação pelas coisas de Deus. Façam-no trocar sua aparência piedosa por uma caminhada humilde com Deus e com os homens. Levem-no a se gastar para a glória de Deus. Desliguem seu telefone. Destruam suas folhas de avaliação. Coloquem água no seu tanque de gasolina. Dêem-lhe uma Bíblia e amarrem-no ao púlpito. Ponham-no à prova, examinem-no, submetam-no a testes. Humilhem-no por sua ignorância das coisas divinas. Envergonhem-no por causa de sua boa compreensão de assuntos econômicos, de resultados de campeonatos esportivos e de questões sobre
partidos políticos. Gracejem de suas frustradas tentativas de "ser um psiquiatra".
Formem um coral, cantarolem e assediem-no, noite e dia, dizendo: "Pastor, queremos conhecer Deus". Quando, por fim, ele subir ao púlpito, perguntem-lhe se ele tem uma palavra vinda de Deus. Se não, dispensem-no. Digam-lhe que vocês também sabem ler jornal, digerir os comentários da televisão, avaliar os problemas superficiais do dia, lidar com as enfadonhas tendências da comunidade e abençoar o arroz e feijão, melhor do que ele. E, quando ele proferir a Palavra de Deus, ouçam-no. Quando ele, for inflamado pela flamejante Palavra de Deus, consumido pela ardente graça que o abrasou, quando for privilegiado de haver traduzido a verdade de Deus ao homem e, no seu final, for transferido da terra para o céu, sepultem-no de forma gentil. Toquem a trombeta
emudecida. Ponham-no para descansar suavemente, colocando uma espada de dois gumes em seu caixão, e entoem um cântico de triunfo, pois, antes de morrer, ele se tornou um homem de Deus.


"Pregar de forma simples não é pregar rudemente, nem indouta ou confusamente, mas pregar de maneira tão simples e perspicaz que o homem mais simples possa entender o que é ensinado, como se ouvisse ser chamado pelo próprio nome." Henry Smith

"Não há sermão que, sendo ouvido, não nos ponha mais perto do céu ou do inferno." John Preston

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Perguntas reveladoras


"Senhor, tu sabes todas as cousas, tu sabes que eu te amo." João 21.17


As perguntas do Senhor sempre revelam o que está dentro de nós. Se o Senhor lhe perguntar hoje: "...tu me amas?", e você permitir que essa pergunta entre em seu coração, de repente você notará que Ele tocou um ponto em você que há muito estava adormecido, e você se comove. Então, do fundo do seu coração, irrompe a verdade, que há muito tempo estava soterrada: "Sim, Senhor, eu te amo porque tu me amaste primeiro." Quando Pedro foi questionado dessa maneira, começou a se dar conta do quanto amava ao Senhor. Para ele foi como que uma revelação quando reconheceu isso, e disse cheio de emoção: "Senhor, tu sabes todas as cousas..."


Com que paciência, determinação e tato o Senhor lidou com Pedro. Ele havia traído o Senhor e, ao mesmo tempo, por puro medo e covardia amaldiçoou-se a si mesmo! O Senhor nunca faz perguntas antes que tenha chegado o tempo oportuno para isso. Muito provavelmente um dia, talvez hoje mesmo, Ele chegue bem perto de você, olhe para você e – sem mencionar os pecados que você cometeu – lhe pergunte: "...tu me amas?"

(site: Chamada.com.br)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Amar mais


Há frases que nos tocam profundamente. Uma delas é a seguinte:
 
"Todo aquele que cruzar o nosso caminho deve se sentir mais amado". ( Antônio Carlos Costa)
 
Como se sentirá mais amado aquele para quem não olhamos?
Como se sentirá mais amado aquele a quem não abraçamos?
Como se sentirá mais amado aquele para quem não sorrimos?
Como se sentirá mais amado aquele cuja história não paramos para ouvir?
Como cada pessoa é especial, o nosso olhar para ela tem que ser especial.
Como cada pessoa tem uma biologia, o nosso abraço tem que ser especial, de modo que toque todo o seu corpo.
Como cada pessoa tem suas próprias necessidades, o nosso sorriso tem que ser especial, especial para ela.
Não adianta dizer que as pessoas são importantes para nós, se elas não ficam sabendo, porque os nossos gestos, nem mesmo as nossas palavras, o dizem.
O amor não se alimenta do discurso, por mais que gritemos.
Se a terra seca precisa de água, temos que regá-la.
Para que para que todo aquele que cruza o nosso caminho se sinta mais amado, precisamos olhar para ele com amor, abraçá-lo com amor, sorrir para ele como expressão de amor, ouvir o que tem para nos contar como nossa expressão de amor.
Assim como nós sabemos que somos amados pelo outro, quando o outro nos ama de verdade e o expressa, do mesmo modo as pessoas saberão e sentirão que são amadas por nós quando nós vamos além do discurso.
É bom saber usar as palavras, mas o melhor é saber amar as pessoas.

Desejo-lhe um BOM DIA.
Israel Belo de Azevedo