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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Oração cristã



  
Não sejam iguais a eles [os pagãos], 
porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, 
antes mesmo de o pedirem. Mateus 6.8


A razão pela qual os cristãos não devem orar como os pagãos é que cremos no Deus vivo e verdadeiro. Não devemos fazer como eles fazem porque não devemos pensar como eles pensam. Pelo contrário, “o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem”. Ele não é nem ignorante acerca de suas necessidades nem hesitante em atendê-las. Por que, então, devemos orar? Qual a utilidade da oração? Deixemos Calvino responder às nossas perguntas com sua costumeira clareza:

Crentes não oram com o objetivo de informar a Deus sobre coisas que lhe sejam desconhecidas, ou de instigá-lo a cumprir sua obrigação, ou de conclamá-lo, como se estivesse relutante. Pelo contrário, eles oram a fim de que possam despertar a si mesmos com o intuito de buscá-lo, exercitar sua fé na meditação em suas promessas, aliviar-se de suas ansiedades ao derramar-se em seu seio; em uma palavra, que possam declarar que têm esperança e esperam dele somente, para si mesmos e para os outros, todas as coisas boas.

Se a oração dos fariseus era hipócrita e a dos pagãos mecânica, a oração dos cristãos por sua vez deve ser verdadeira — sincera em oposição à hipocrisia, reflexiva em oposição à mecânica.

Jesus nos ensinou a nos dirigirmos a Deus como “Pai nosso, que estás nos céus” (v. 9). Isso implica, primeiramente, que ele é pessoal. Ele talvez esteja na famosa expressão de C. S. Lewis, “para além da personalidade”, mas, com certeza, não se encontra aquém. Em segundo lugar, ele é amoroso. Não é o tipo de pai de que ouvimos às vezes — autocrata,playboy, beberrão — mas alguém que preenche os ideais de paternidade no cuidado amoroso para com seus filhos. Em terceiro lugar, ele é poderoso. Aquilo que o seu amor indica, seu poder é capaz de realizar. É sempre sábio, antes de orarmos, passar um tempo lembrando quem é aquele a quem estamos nos dirigindo.

>> Retirado de  A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.


http://ultimato.com.br/sites/devocional-diaria/2015/06/16/autor/john-stott/a-oracao-crista-2/

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Morreu o humano




O modelo humano brasileiro que preferia ser boneco morreu.
Foi no último dia 4 de Junho.
Que pena, que trágico!
Celso Santebañes, fez várias modificações em seu corpo para ficar semelhante ao boneco Ken.

Já pensou nisso? Que miséria de compreensão do que é ser "humano".
Não há nada de errado em se divertir e encantar-se enquanto criança, e para outros até mesmo já crescidos, com a beleza e criatividade de um brinquedo. Isso é diversão e até mesmo pedagógico.
Mas, preferir a beleza plástica de um brinquedo ilusório ao invés do ser único e exclusivo como humano, moldados e criados pelo Criador de todas as outras coisas, e ainda sabedores que somos "à imagem e semelhança" do Deus Eterno e Magestoso, para mim é infelizmente o retrato da miséria mental e espiritual de nossos dias.

Morreu um ser humano, e isso é triste. O trágico é que já havia morte neste humano antes mesmo da vida o deixar. Ele perdeu a grande oportunidade de desfrutar, sem custos adicionais nenhum, de ser o mais belo das criaturas. O trágico é que existem milhares como ele espalhados nessa sociedade movida pelo esteriótipo.

Que isso nos faça refletir um pouco sobre a essência do que somos e do que cremos.
Humano que sou, falho e fraco, mas inerentemente feliz por esse privilégio, deixo meu abraço.

Eliezer.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

MUDE O SEU PASSADO


Tornou-se uma frase comum que, como não podemos mudar o nosso passado, devemos escrever o nosso presente.
Viver é também guardar lembranças, umas doces e outras amargas. Umas nos inspiram e outras nos deprimem. Algumas nos fazem voar e outras nos levam a esconderijos.
Nossas atitudes diante do passado compõem as canções de nossas vidas. Alguns podemos passar a vida toda dando voltas em torno do nosso passado, como se não houvesse futuro. Andar em círculos em torno do passado é nos afundar nos sulcos que o peso do nosso corpo vai formando, ao ponto até de nos sufocar.
Há situações do passado que precisam ser mudadas.
Há passados que precisamos reescrever, porque são falsos. Foram construídos para nós, para que acreditássemos na versão, ou construídos por nós, para que parecessem o que não foram. Neste processo, muitas infâncias dolorosas foram descritas como maravilhosas. Pode ser que a sensação nos ajude, mas pode ser também que os fatos reais sejam o fio que nos conduziu pelo resto da jornada até agora. Neste caso, precisamos mudar o passado, reescrevendo-o como foi, não como o compuseram para nós ou nós mesmos o imaginamos.
Há passados que precisamos mudar, porque continuam presentes. Não escreveremos o nosso presente se não mudarmos o passado. O filho violento de um pai violento precisa saber que é violento porque seu pai o foi. Uma filha depressiva de uma mãe depressiva precisa entender que ela continua a história da sua mãe. 
Mudamos o passado ruim quando escrevemos a nossa própria história. 
Mudamos o passado ruim quando rejeitamos o figurino que esse passado tenta nos impor.
Mudamos o passado ruim quando recusamos os papéis de vítimas e nos dispomos com coragem a assumir que, apesar de nossas fraquezas e de nossas heranças, temos um lindo presente para viver. Não por acaso a Bíblia diz que Deus não é Deus dos mortos mas dos vivos (Mateus 22.32). Ele é o nosso Deus hoje.

Desejo-lhe um BOM DIA.
Israel Belo de Azevedo

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Espelho Fosco




Ana orava silenciosamente, 
seus lábios se mexiam,
mas não se ouvia sua voz. 
Então Eli pensou que ela estivesse
embriagada.
(15m 1.13)

É comum vermos de modo muito claro os erros dos outros, mas achamos muito difícil fazer a mesma coisa em nós. O sacerdote Eli julgou a atitude de Ana, acusando-a de estar sob efeito de muito vinho, mas nunca percebeu a grave desobediência de seus próprios filhos. Só depois de muita queixa ele disse: "De todo o povo ouço a respeito do mal que vocês fazem" (v 23). Logo depois, um homem de Deus veio ao seu encontro e avisou ao sacerdote que a paciência de Deus com sua família tinha acabado. Eli havia confundido uma oração com embriaguez, mas não reconhecia a maldade de seus filhos. Essa distorção é comum ao ser humano, sempre preocupado com a espiritualidade alheia e esquecendo-se de cuidar da sua própria.

Fico surpreso por ter conhecido tantas pessoas com facilidade em ver os erros de outras e com muita dificuldade em perceber os seus. Parece que no tocante aos outros usamos um espelho novo e quando chega a nossa vez, um fosco. Nossa tendência a fazer o que é mau obscurece nosso julgamento quando se trata de nossa pessoa. Justificamos nossos atos segundo nossas preferências, nosso orgulho e vaidade, ou de acordo com os interesses envolvidos. Por causa do seu caráter santo, o julgamento de Deus é o único correto e verdadeiro. Só usaremos um "espelho novo" se permitirmos que o Espírito Santo nos julgue usando a Palavra. Isso dói, mas é necessário para que haja crescimento.

Troque o espelho que você usa para julgar os outros e use-o em si mesmo. A falta desse princípio sadio tem sido uma das causas de tantos dissabores nos relacionamentos. A inveja, o orgulho, o complexo de superioridade, a ambição por fama, destaque e posições elevadas têm-se manifestado nesse julgamento feito com o espelho defeituoso.

Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho,
e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão (Mt 7.5).

Manoel de Jesus Thé  - Presente Diário 16

sábado, 20 de setembro de 2014

Eu sou do Senhor!




8O Senhor Deus é a força do seu povo.
O Senhor é o refúgio seguro do rei
que ele escolheu.
9Ó Deus, salva o teu povo
e abençoa aqueles que são teus!
Sê o pastor deles
e cuida deles para sempre.
(Salmo 28.8,9)


Eu sou do povo de Deus, e Ele é minha força.
Eu sou escolhido de Deus, e tenho nEle meu seguro refúgio.
Minha grande alegria e certeza, e que do meu Deus vem,
A salvação de todo o Seu povo.
A bênção dos que tão somente nEle esperam.
E o cuidado pastoral, zeloso, carinhoso e permanente.
Que maravilhoso ser povo escolhido de Deus....



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O bordado de Deus

Essa é uma velha história, talvez um conto chinês, que já inspirou muitas mensagens e composições (talvez a mais conhecida seja "Tapeceiro" de Edilson Botelho), mas que me fala sempre ao coração, em especial em dias que não estou entendendo, ou aceitando muito bem Preciso me lembrar em que mãos está a minha vida, e que esse Artista sabe muito bem o que faz.




Quando eu era pequeno, minha mãe costurava muito. Eu me sentava no chão, olhava e perguntava o que ela estava fazendo. Respondia que estava bordando.

Todo dia era 
a mesma pergunta e a mesma resposta. Observava seu trabalho de uma posição abaixo de onde ela se encontrava sentada, e repetia: "Mãe, o que a senhora está fazendo?" Acontece que, visto de baixo, o que ela fazia me parecia muito estranho e confuso. Era um amontoado de nós e fios de cores diferentes, compridos, curtos, uns grossos e outros finos.


Eu não entendia nada. Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente me explicava: "Filho, saia um pouco para brincar e quando terminar meu trabalho eu chamo você e o coloco sentado em meu colo. Deixarei que veja o trabalho daqui de cima. Mas eu continuava a me perguntar lá de baixo: "Por que ela usa alguns fios de cores escuras e outros claros?" "Por que me parecem tão desordenados e embaraçados?" "Por que estão cheios de pontas e nós?" "Por que não tinham ainda uma forma definida?" "Por que demorava tanto para fazer aquilo?"

Um dia, quando eu estava brincando no quintal, ela me chamou: "Filho, venha aqui e sente em meu colo." Eu sentei no colo dela e me surpreendi ao ver o bordado. Não podia crer! Lá de baixo parecia tão confuso, mas agora, vendo-o da perspectiva de minha mãe, aquelas linhas estranhas formavam uma paisagem maravilhosa! Então ela me disse: "Filho, de baixo parecia estranho e complicado, mas agora, vendo-o de cima, você pode entender o que eu estava fazendo."

Muitas vezes, ao longo dos anos, tenho olhado para o céu e dito: "Pai, o que estás fazendo?" Ele parece responder: "Estou bordando a sua vida, filho." E eu continuo perguntando: "Mas está tudo tão confuso...Pai, tudo em desordem. Há muitos nós, fatos ruins que não terminam e coisas boas que passam rápido. Os fios são tão escuros. Por que não são mais brilhantes?" O Pai parece me dizer: "Meu filho, ocupe-se com seu trabalho, descontraia-se, confie em mim... eu farei o meu trabalho. Um dia, colocarei você em meu colo e então vai ver o plano da sua vida daqui de cima."

Talvez você não entenda o que está acontecendo em sua vida. As coisas são confusas, não se encaixam e parece que nada dá certo. É que você está vendo o lado avesso. Mas fique tranquilo: Do outro lado, Deus está bordando a sua vida.


Fonte: Bruno Vox 
http://www.genizahvirtual.com/2014/09/deus-esta-bordando-sua-vida

sábado, 28 de junho de 2014

De onde vem a felicidade?


Felicidade para Freud e Lewis

David Neff
Ambos [Freud e Lewis] sofriam de depressão clínica. Antes de se tornar cristão, em seu diário e cartas, Lewis parece irritável, pessimista, obscuro e sem esperança. Diz que seu ateísmo baseava-se na sua “visão muito pessimista da existência”. Depois de sua conversão, passou a dizer que a alegria se tornara a história central de sua vida. Seus amigos passaram a considerá-lo uma pessoa animada e sociável. Ele havia sido surpreendido pela alegria no relacionamento recém-estabelecido com o Criador. Lewis afirma que Deus não nos pode dar “felicidade alguma além de si mesmo, pois ela não existe fora dele”. A nova fé ajudou-o a superar a depressão. A pesquisa médica recente lançou bastante luz sobre os aspectos positivos da fé no tratamento da depressão. 

Freud, por sua vez, quando jovem, usou cocaína durante algum tempo como forma de melhorar o ânimo. Ele relacionava a felicidade ao prazer, e para ele a maior fonte de prazer era a satisfação instintiva, o prazer sexual. E como isso só ocorre de vez em quando, ele conclui que está descartada qualquer chance de felicidade.

Lewis divide a felicidade em várias categorias, mas diz que todas elas vêm da mesma fonte. Ele mostrava-se capaz de apreciar os pequenos prazeres da vida, como assistir ao pôr-do-sol, ouvir uma boa música ou tomar um banho quente. E dizia que metade de toda a felicidade vem das amizades. Já Freud parecia ter uma capacidade limitada de apreciar pequenos prazeres. E suas cartas não expressam muita felicidade. Certamente ele experimentou alegria em estar com os filhos e a família, mas a grande maioria dos seus escritos indica que ele não considerava a vida uma experiência particularmente feliz.

Nota
NEFF, David. Dois gigantes intelectuais frente a frente; entrevista com Armand Nicholi. Ultimato.set./out. 2005. ed. 296.


http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/332/felicidade-para-freud-e-lewis