sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A missão de Lucy





Hoje pela manhã fui visitado por fortes dores estomacais (ou intestinais, não sei ao certo), que me desmotivaram das atividades mais produtivas, por isso, acomodei-me e encontrei um filme já visto várias vezes, mas que sempre me ensina algo proveitoso. Não foi diferente desta vez, mui especialmente num momento que falou muito sobre minha função e meu momento atual no ministério.

O filme é "As Crônicas de Nárnia: Príncipe Cáspian", baseados nos escritos magníficos de C.S.Lewis. Fui instigado por um momento em especial da trama. Os quatro irmãos estão caminhando pela floresta, acompanhados pelo anão Trumpkin que salvaram, procurando o Grande Rio, para chegarem ao Monte de Aslam. Pedro, o irmão mais velho tem certeza que sabe o caminho, mas depois de muito andarem e já exautos se dão conta que realmente estão perdidos e não sabem qual direção tomar. Nesse instante Lucy solta um grito e diz estar vendo o Leão Aslam, mas volta-se e não o vê mais. Questiona os irmãos e todos dizem não ter visto e a induzem a pensar que foram alucinações. Ela refuta, diz ter certeza, e ainda afirma que Ele deseja que caminhem em outra direção. O grupo faz uma votação e todos seguem na direção que já estavam antes, apesar do desapontamento de Lucy.

Descem o penhasco e são perseguidos pelos soldados inimigos, até que, sem nenhuma alternativa, precisam voltar novamente e seguir a direção que Lucy tinha apontado. Muito cansados, param para comer e depois dormir um pouco. No meio da noite Lucy é despertada por uma voz que lhe chama. Ela tenta dormir novamente mas o chamado se repete, e a voz é a mais querida aos seus ouvidos, por isso ela se levanta e entra pela floresta seguindo a voz, e depois dos arbustos vivos e dançantes, encontra-se com Ele, Aslam.

Depois de abraços e deleites Aslam diz que eles já perderam muito tempo na direção errada, e o diálogo que segue é esclarecedor. Ela culpa os irmãos de não terem ido na direção certa quando ela os chamou, mas diante do olhar sério de Aslam ela confessa que deveria ter ido mesmo diante da incredulidade deles. Pergunta se mudaria alguma coisa se tivesse ido. Aslam responde que não pode dizer se algo seria diferente, mas que agora sim ela pode fazer diferença, e lhe desafia: vá acordar os outros, conte-lhes tudo que viu e façam com que me sigam. Ela sabe que a tarefa é difícil demais e questiona se os outros conseguirão vê-lo como ela. Aslam diz que de início não, mas ela deve chama-los e depois vir até ele, mesmo que os outros não venham.

Transcrevo as linhas do próprio Lewis: É desagradável ter de acordar quatro pessoas mais velhas, ainda por cima cansadas, para dizer-lhes uma coisa em que provavelmente não irão acreditar, e para convencê-las a fazer aquilo que não querem. Lúcia disse para si mesma: “É melhor nem pensar! Tenho é de ir em frente e aceitar o desafio!”

Ela conseguiu, mas não sem ter muita resistência e ser ofendida.

Assim que Lewis retrata a difícil missão que temos de liderar um povo a andar por fé. Torna-se terrível quando nem mesmo você sabe ao certo se está vendo ou não a direção certa, se está ouvindo ou não a voz de Deus, se está sendo ou não obediente. Mas depois de um encontro pessoal, uma palavra inconfundível e a direção certa apontada, não importa mais ser ouvido ou não, mas obediente.

Despertar os que estão tranquilamente dormentes diante da urgência de marchar, conseguir transmitir aquilo que vemos e ouvimos diretamente do Senhor, e ainda fazer com que nos sigam, porque seguimos a Jesus, não é algo fácil e nem mesmo tranquilo de se realizar, mas é nossa missão. Só quando nos levantamos com disposição, motivados pela obediência ao Senhor de nossas vidas e pelo amor daqueles que estão perdidos e sem rumo do nosso lado, nossos irmãos de jornada, podemos então ter a alegria de estar no caminho certo, perto do nosso Salvador e acompanhados por aqueles de quem não desistimos. Isso sim é satisfação, missão cumprida e vale toda a celebração.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A Primazia da Pregação!



É necessário fazer provisão na igreja para manter a pregação como prioridade. Muitas coisas boas competem pela atenção do pastor. Sempre existem necessidades a serem atendidas e ministérios à espera de uma mão disposta a trabalhar. À luz de tanta exigência, os pastores precisam cultivar o mesmo tipo de ousadia humilde e negligência  deliberada que demonstraram os apóstolos, quando pastoreavam a igreja em seus primórdios, na cidade de Jerusalém. Confrontados com as importantes necessidades da congregação, aqueles primeiros líderes se recusaram a ficar distraídos de sua principal tarefa:

"Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas" (At 6.2).

A situação era séria. Viúvas estavam sendo negligenciadas pela igreja. Contudo, a  igreja confiou esse ministério a outros membros cheios do Espírito Santo, para que os apóstolos se consagrassem "à oração e ao ministério da palavra" (v. 4). Esse tipo de sabedoria prática e disposição de delegar responsabilidades precisa caracterizar a igreja, se tiver de ser mantida a prioridade da pregação. Os membros e oficiais da igreja deveriam mostrar grande cuidado em insistir que seu pastor mantenha a obra da pregação como a prioridade de seu ministério. John MacArthur salientou esse ponto com
grande eloqüência, em um sermão pregado na Conferência de Pastores da Convenção Batista do Sul, em 1990, realizado em Nova Orleans, Louisiana. De que maneira os membros de igreja podem encorajar seu pastor a fazer da pregação a sua prioridade?

Precisamos nos determinar a permitir que nossas convicções sejam moldadas pela imutável Palavra de Deus e não pelas mutáveis tendências da cultura moderna.

Aqui estão as sugestões de MacArthur:

Empurrem-no para o seu escritório, tirem da porta a placa "Escritório" e substituam-na por outra que diz: "Sala de Estudo". Tranquem-no com seus livros, sua máquina de escrever e sua Bíblia. Forcem-no a se ajoelhar diante dos textos, dos corações quebrantados, da inquietação de vidas de um rebanho dado à superficialidade e diante de um Deus Santo. Obriguem-no a ser o único homem da igreja que conhece o bastante acerca de Deus. Atirem-no para o ringue, a fim de boxear com Deus, até que ele aprenda quão pequenos são os seus braços. Coloquem-no a lutar com Deus por toda a noite, permitindo que saia apenas quando estiver machucado e surrado, a ponto de ser uma bênção. Fechem a boca desse homem, para que ele não seja continuamente um mero discursador. Impeçam sua língua de tropeçar em coisas não-essenciais. Exijam que tenha algo a dizer, antes de quebrar o silêncio. Queimem seus olhos com estudo cansativo. Desarticulem seu equilíbrio emocional com a preocupação pelas coisas de Deus. Façam-no trocar sua aparência piedosa por uma caminhada humilde com Deus e com os homens. Levem-no a se gastar para a glória de Deus. Desliguem seu telefone. Destruam suas folhas de avaliação. Coloquem água no seu tanque de gasolina. Dêem-lhe uma Bíblia e amarrem-no ao púlpito. Ponham-no à prova, examinem-no, submetam-no a testes. Humilhem-no por sua ignorância das coisas divinas. Envergonhem-no por causa de sua boa compreensão de assuntos econômicos, de resultados de campeonatos esportivos e de questões sobre
partidos políticos. Gracejem de suas frustradas tentativas de "ser um psiquiatra".
Formem um coral, cantarolem e assediem-no, noite e dia, dizendo: "Pastor, queremos conhecer Deus". Quando, por fim, ele subir ao púlpito, perguntem-lhe se ele tem uma palavra vinda de Deus. Se não, dispensem-no. Digam-lhe que vocês também sabem ler jornal, digerir os comentários da televisão, avaliar os problemas superficiais do dia, lidar com as enfadonhas tendências da comunidade e abençoar o arroz e feijão, melhor do que ele. E, quando ele proferir a Palavra de Deus, ouçam-no. Quando ele, for inflamado pela flamejante Palavra de Deus, consumido pela ardente graça que o abrasou, quando for privilegiado de haver traduzido a verdade de Deus ao homem e, no seu final, for transferido da terra para o céu, sepultem-no de forma gentil. Toquem a trombeta
emudecida. Ponham-no para descansar suavemente, colocando uma espada de dois gumes em seu caixão, e entoem um cântico de triunfo, pois, antes de morrer, ele se tornou um homem de Deus.


"Pregar de forma simples não é pregar rudemente, nem indouta ou confusamente, mas pregar de maneira tão simples e perspicaz que o homem mais simples possa entender o que é ensinado, como se ouvisse ser chamado pelo próprio nome." Henry Smith

"Não há sermão que, sendo ouvido, não nos ponha mais perto do céu ou do inferno." John Preston

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Perguntas reveladoras


"Senhor, tu sabes todas as cousas, tu sabes que eu te amo." João 21.17


As perguntas do Senhor sempre revelam o que está dentro de nós. Se o Senhor lhe perguntar hoje: "...tu me amas?", e você permitir que essa pergunta entre em seu coração, de repente você notará que Ele tocou um ponto em você que há muito estava adormecido, e você se comove. Então, do fundo do seu coração, irrompe a verdade, que há muito tempo estava soterrada: "Sim, Senhor, eu te amo porque tu me amaste primeiro." Quando Pedro foi questionado dessa maneira, começou a se dar conta do quanto amava ao Senhor. Para ele foi como que uma revelação quando reconheceu isso, e disse cheio de emoção: "Senhor, tu sabes todas as cousas..."


Com que paciência, determinação e tato o Senhor lidou com Pedro. Ele havia traído o Senhor e, ao mesmo tempo, por puro medo e covardia amaldiçoou-se a si mesmo! O Senhor nunca faz perguntas antes que tenha chegado o tempo oportuno para isso. Muito provavelmente um dia, talvez hoje mesmo, Ele chegue bem perto de você, olhe para você e – sem mencionar os pecados que você cometeu – lhe pergunte: "...tu me amas?"

(site: Chamada.com.br)